"VÓ, VOU LÁ!"
"Me lembro de um tempo,
em que tudo pra mim,
era Primavera-Verão!
Morava a três casas de minha Avó.
Deixava minha mãe na solidão.
E corria descendo o morro;
abrindo e fazendo um barulhinho naquele portão.
Ela não escutava quase nada,
pelo menos, era o que dizia...
Eulinha, minha Tia, já resmungava, e dizia:
Iiih, "É hoje!" Mas, logo se alegrava
e me gritava:
-"Oh, Bichinha!"
Avó, ficava apreensiva, pois, como toda mãe,
tinha medo que qualquer pessoa fizesse mal a sua filha...
Mas, como eu adorava estar com essas duas...
Só Jesus sabia!
Passava o dia inteiro na casa delas.
Mamãe Julia, enfim, aparecia,
quase no fim do dia,
para ver a minha paradela.
Lá, botava a fofoca em dia.
Tinha a mamãe dela como sua melhor amiga,
coisa de filha!
E, quando chovia, Eulinha batia na coxa, tão forte,
e se enfurecia. Gostava era da luz do Sol; do Dia!
E, isso eu puxei delas!
Mainha iria embora, e eu ficava mais algumas horas!
Fazendo companhia!
Avô Joaquim, chegava da rua, e se assentava no mesmo
cantinho da mesa da cozinha,
com joelho dobrado para cima,
apoiava em uma perna só, no banquinho,
e ficava ali comendo quietinho, igual mineirinho mêsmo!
Dava quatro horas da tarde, era o banho da Eulinha.
Enquanto isso, avó Zotinha, pegava um papelzinho;
escrevia sua listinha, e me pedia pra ir na vendinha
do seu Marcelino, chegava lá, e fazia tudo direitinho,
o que ela me pedia: Anotar no caderninho; um "fiadinho";
Minha mãe também fazia.
E, assim era nossas vidas...
Via o "Vale a Pena Ver de Novo", "Malhação";
e, quando percebia, elas já estavam "ferradas no sono".
E, se eu desligasse a TV, elas acordavam. No pulo, dizendo:
-"Não desliga, não sô!"
-"Uai, quem mandou se desligar?!"
Eu ficava sem graça...
Deixava elas cochilarem!
E, ficava ali tomando conta,
até o meu avô chegar!
E, assim, era praticamente, todo santo dia!
Mas, toda vez que eu iria embora,
elas iriam até o lado de fora.
E eu, por fim, sempre dizia:
-"Vó, Vou Lá!"
Ela morria de rir, e reproduzia:
-"Vou Lá!"
Por que, essa era a frase, ou bordão,
que eu sempre usava, toda vez que iria embora...
Ela já sabia o que eu iria falar:
-"Vó, Vou Lá!"
O que mais nos doía , era ouvir o carro de som passar,
anunciando o velório de alguém.
Até que um dia, o do Vô, e o Delas,
foram anunciados também.
E, a cidade inteira ouviu. Todos sentiram.
E, Guarani, ficou em silêncio também.
Hoje, elas "Foram Lá!", e nós por aqui,
ainda ficamos!
Com a esperança de que um dia,
nos encontremos!
Inesquecível é o nosso:
"Vou Lá!", subir o morrinho
e descansar! Lembrar de sua doce risada,
reproduzindo o meu bordão:
-"Vó, Vou Lá!"
Te Amo Lygia, Eula e Valeriano!
(08 e 09 de Agosto, de 2026)
By: Paullo Dourado.
(Poema: "Vó, Vou Lá!" | Paullo Dourado + Curta Para Zotinha e Família)
(27.08)


